Vídeo caseiro convence mais do que produção profissional no comércio eletrônico

16 de outubro de 2026

Conteúdos gravados pelos próprios consumidores são preferidos por 57%, enquanto produções profissionais recebem a escolha de 22%

No comércio eletrônico, uma gravação simples feita por um consumidor pode transmitir mais confiança do que uma produção cuidadosamente elaborada por uma marca. Pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas, mostra que 57% preferem vídeos de depoimento com aparência caseira.

As produções profissionais são a opção de 22% dos entrevistados. A diferença evidencia a procura por conteúdos percebidos como espontâneos, nos quais o produto aparece em condições mais próximas da experiência real de uso.

Esse comportamento está relacionado ao peso da prova social na decisão de compra. Em uma escala de confiança de 1 a 5, as recomendações de amigos e familiares receberam nota 4,19. Avaliações de outros clientes e selos de segurança e reputação aparecem logo depois, ambos com 4,14.

Já a publicidade feita por influenciadores e celebridades recebeu nota 2,89. O resultado não indica que essas figuras deixaram de influenciar a descoberta de produtos, mas sugere que a presença de uma personalidade conhecida, por si só, não é suficiente para eliminar dúvidas no momento da compra.

Para o consumidor, o vídeo caseiro pode ajudar a responder questões que nem sempre aparecem em fotografias publicitárias. Tamanho, textura, tonalidade, acabamento, montagem e funcionamento são características que se tornam mais compreensíveis quando mostradas em uma situação cotidiana.

Essa preferência também representa uma oportunidade para o varejo incorporar conteúdos de clientes às páginas de produtos, redes sociais e campanhas. Depoimentos em vídeo podem complementar descrições técnicas e reduzir a distância provocada pela impossibilidade de ver ou tocar o item, apontada por 49% como a principal desvantagem das compras pela internet.

A estética menos produzida, no entanto, não garante autenticidade. Conteúdos com aparência espontânea também podem ser roteirizados, patrocinados ou publicados sem a devida identificação comercial. Por isso, transparência sobre parcerias e critérios para seleção dos depoimentos continua sendo essencial.

Outro cuidado é não substituir informações objetivas por opiniões. Um vídeo de consumidor pode transmitir confiança, mas não elimina a necessidade de apresentar medidas, composição, características, condições de troca e detalhes sobre a entrega.

O dado também desafia marcas acostumadas a buscar perfeição visual em toda comunicação. Em determinadas etapas da jornada, uma imagem altamente produzida pode ser útil para posicionamento e reconhecimento. Perto da decisão, porém, o público parece valorizar a demonstração concreta da experiência.

Mais do que abandonar a produção profissional, o varejo precisa compreender a função de cada formato. A comunicação da marca pode apresentar o produto, enquanto o conteúdo de consumidores ajuda a comprovar como ele funciona fora do cenário publicitário.